sexta-feira, 15 de novembro de 2013

carlos drummond de andrade.

"Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!"

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

passado.

Há muito que tenho pensado em escrever este texto, mas vou sempre adiando, talvez por ter medo de o escrever por relembrar certas coisas, ou talvez por também não saber bem como começa-lo. Sei que quero falar sobre mim, sobre como eu era, sobre como eu sou, sim, há diferenças. Sei que mudei, mudei porque quis e para o meu bem.
Quando era mais nova eu vivia na sombra dos outros (pelo menos assim o sentia). Eu era tímida, não falava muito, apesar de não ser daquelas crianças que ficam sozinhas no seu canto, eu nunca consegui evitar sentir-me um pouco de parte, quando fazia algo mal eu corava imenso e deixava que os outros se  rissem do meu erro, zangava-me, não com os outros, mas comigo por ter errado e tentava demonstrar que não ficava triste mas a verdade é que ficava.
Mais tarde quando começamos a ligar mais às aparências e aí sim talvez tenha sido a  pior parte, eu não gostava de mim, eu não me achava bonita, eu vivia na sombra de outras pessoas que eu achava sempre mais bonitas que eu, eu rebaixava-me. Eu não me achava gorda, mas também não achava que estivesse bem, e tive sempre cabeça para  nunca me ter metido em loucuras de dietas parvas. Quando me enumeravam qualidades eu achava que estavam a mentir só para me sentir bem ou até gozar, achava que tudo o que estavam a dizer era mentira, que eu não era como diziam. Eu só via os defeitos, esses eu via todos.
De há uns anos para cá, e não de há muitos, eu comecei a valorizar-me a mim própria, eu comecei a conseguir ouvir criticas, a aceitá-las quando para meu bem e a descartá-las quando sabia que não era assim, aprendi a ter convicção em mim mesma.
Hoje eu não aceito tudo sem questionar, porque sei que os outros também podem errar.
Hoje eu rio de mim quando erro, eu rio mais que os outros.
Hoje eu falo a toda a gente e acima de tudo divirto-me, sou muito mais extrovertida porque tenho confiança em mim.
Hoje eu não deixo que qualquer pessoa me deite a baixo.
Hoje tenho gosto em arranjar-me, sou incapaz de sair de casa sem no mínimo eyeliner e perfume, muita gente diz que eu não preciso de me maquilhar, mas é uma das maneiras de eu me sentir bem comigo mesma, de eu me sentir para cima.
Hoje eu não sou capaz de andar sem verniz nas unhas, e uso cores bem chamativas, o verniz pode já andar todo descascado mas sem verniz parece que ando doente.
Hoje eu faço desporto, não para manter a forma, mas porque gosto e é saudável.
Hoje eu gosto de mim e posso dizer que me aceito como sou.
Porque se não gostar de mim, quem gostará?

sentes?

É cada vez mais complicado esconder as saudades que sinto da tua pessoa. Desse teu ser que fazia com que todos os meus planos não saíssem fu...