Nuno Júdice,A Matéria do Poema, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2008
Este foi o poema que me fez terminar o exame de Português de 9º ano...
Tive alta branca o exame estava-me a correr terrivelmente mal, até que chego à parte do poema e leio as últimas linhas fiz exactamento o que o "poeta" fez, pousei a caneta e deixei que a matéria me viesse à memória, e apartir daí a caneta não parou de escrever o que eu tinha a certeza que sabia... mas que apenas num momento de nervosismo não me lembrava...
PARA ESCREVER O POEMA
O poeta quer escrever sobre um pássaro:
e o pássaro foge-lhe do verso.
O poeta quer escrever sobre a maçã:
e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.
O poeta quer escrever sobre uma flor:
e a flor murcha no jarro da estrofe.
Então, o poeta faz uma gaiola de palavras
para o pássaro não fugir.
Então, o poeta chama pela serpente
para que ela convença Eva a morder a maçã.
Então, o poeta põe água na estrofe
para que a flor não murche.
Mas um pássaro não canta
quando o fecham na gaiola.
A serpente não sai da terra
porque Eva tem medo de serpentes.
E a água que devia manter viva a flor
escorre por entre os versos.
E quando o poeta pousou a caneta,
o pássaro começou a voar,
Eva correu por entre as macieiras
e todas as flores nasceram da terra.
O poeta voltou a pegar na caneta,
escreveu o que tinha visto,
e o poema ficou feito.
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