Pensamentos e Desejos
Durante o tempo em que esperei para ser vendido, naquela pequenina loja de uma escola, nunca pensei vir a ser o que sou hoje, pensei sempre vir a ser mais um daqueles cadernos em que os alunos escrevem apontamentos de uma determinada disciplina.
Até ao dia em que uma rapariga me levou com ela e, ao chegar a casa, me forrou com folhas de jornal e plástico autocolante. Não era de todo aquele gesto que eu esperava, havia algo de errado.
Comecei-me a aperceber-me de que a mi aquela rapariga gostava de cantar. Em mim, ela começou por escrever m letras de músicas das quais gostava; Até agora, a minha faro favorita é a que ela por alguma razão escreveu a lápis, começa assim:
"No teu poema/existe um verso e sem medida/ um corpo que respira a céu aberto/ janela debruçada para a vida..."
Nesses tempos, ela apenas escrevia as músicas ou pegava em mim para cantar, e eu ficava horas nas mãos dela a ouvi-la...
Passados uns tempos, ela começou a escrever em mim poemas, e, depois, seguiram-se os pensamentos e, por fim, os desabafos. Os poemas todos eles mostravam o sentimento que nela ia, fosse paz, amor, raiva ou dor. Os pensamentos são eram todos proibidos, como ela gosta de lhes chamar apenas de nada mesmo sem nada de mal conterem, ela pensa que é injusto te-los, mas não os controla, por fim, os desabafos, bem todos nós sabemos como eles são e do que se tratam...
Não sou um diário, aquela rapariga nunca gostou de me dar esse nome. Aliás ela nem escreve o que lhe acontece todos os dias; por isso, não sou um diário como o das outras raparigas, sou como que um díário de bordo, conheço-a melhor do que ninguém.
Não sou um diário, aquela rapariga nunca gostou de me dar esse nome. Aliás ela nem escreve o que lhe acontece todos os dias; por isso, não sou um diário como o das outras raparigas, sou como que um díário de bordo, conheço-a melhor do que ninguém.
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