quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

quando for grande quero ser.

Sabem aquela pergunta típica que se faz às crianças quando elas ainda só pensam em bonecas e carrinhos? Sim é essa, "O que é que queres ser quando fores grande?". Na idade que nos fazem essa pergunta sabemos lá o que queremos ser, sabemos lá o que quer isso dizer do ser grande e do que vamos ser. Se gostamos de animais talvez digamos que queremos ser veterinários e na pura inocência pensamos que é só dar mimos aos pobres bichinhos e dar-lhes umas injeções de vez em quando, quando estão com sono e não querem brincar, por exemplo. Se gostamos de naves espaciais e foguetões dizemos que queremos ser astronautas, e pensamos que ser astronauta é ir à Lua, voltar, e contar o planetas e estrelas que encontramos pelo caminho, que afinal é curto porque a Lua está já ali, quase que lhe conseguimos tocar se esticarmos um bocadinho mais o braço. Com o passar do tempo começamos a ter mais consciência do que essa pergunta implica e as pessoas à nossa volta que nos perguntam isso começam a diminuir e a cingir-se aos nossos pais e professores, o resto da família já não pergunta, porque claro, a pergunta mete graça é quando se faz aos pequeninos. Com o aproximar da hora de decisão do curso a seguir já se pondera aquilo que se gosta, mas depois vem também qual o curso que dá um futuro melhor, ou seja a altura em que já há problemas e não nuvens cor de rosa.
Ouvi tantas vezes essa pergunta e como é óbvio nunca respondi sempre a mesma coisa, com o passar do tempo as ideias mudavam. A primeira que me lembro e há registo não deixa de ser irónica, na primária eu adorava a minha professora e quando questionada sobre o que queria ser eu disse que queria ser professora. Depois disso passei pela fase da Veterinária, apesar do pavor a cães na altura, houve uns anos em que nem me passava nada pela cabeça, entrei para o secundário e escolhi Ciências e Tecnologias porque pensava em Engenharia Civil ou Arquitetura e aí não me perguntem o que me passou pela cabeça. Após uns meses no secundário apaixonei-me por Psicologia graças à minha professora de Filosofia do 10º mas depois as minhas notas no secundário não corresponderam àquilo que todos os meus professores até à data esperavam e diziam que eu conseguia e Psicologia ficou para trás como uma ilusão, mudei de ideias radicalmente e foquei-me em Engenharia Informática, também devido às perspetivas de emprego, até que a Matemática que até ali andava em montanha russa decidiu descer a pique e lixar-me não um mas dois anos e Físico-química deu uma ajudinha também a tramar-me, aí percebi que esse curso definitivamente não era para mim. Passados dois anos, um em que entre Matemática e FQ apenas consegui fazer a segunda e outro apenas com a primeira, eu sabendo que queria licenciar-me na minha cidade encontrei um curso que me enchia as medidas e em que podia, apesar de de outra maneira, ajudar pessoas esse curso era Serviço Social e foi depois de todos os percalços quando consegui concluir o 12º a minha primeira opção. Não fui colocada na 1º, mas sim na segunda opção, e acreditando ou não no destino, houve mão dele. Passou-se o primeiro semestre e eu olho para trás e vejo que foi o melhor que me podia ter acontecido, foi entrar em Educação Básica, olhando para trás essa era a minha primeira opção desde sempre e na altura de escolher o curso eu não tinha visto isso.Quando eu pensava em Psicologia eu não pensava só em ajudar pessoas, eu pensava em Psicologia Infantil, quando decidi por Serviço Social eu tinha em mente trabalhar com crianças que precisassem de ajuda, tudo tinha crianças e na altura eu não via e não deixa de ser irónico eu ter entrado no primeiro curso que eu disse que queria quando fosse "grande".
Agora eu sei que o medo do futuro não pode afetar a escolha do curso porque se é para estudar é para estudar uma coisa que se gosta porque é para a vida.

Este foi escrito mais ou menos a meio do 12º :
http://taniaslantunes.blogspot.pt/2013/03/curso.html

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